terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A Abel Fagundes

A Abel Fagundes


Não sei se nada é por acaso
ou se tudo é por acaso...
Mas o acaso de Abel na Sobrames marcou-me
e a todos deixa boas lembranças.

Por um tempo, uma dúvida.
Por que um engenheiro
procurou conviver com uma agremiação
de Médicos Escritores?

Perguntei-lhe um dia e ele me repondeu:
“Foi por acaso e agora é por gosto”
Assíduo às reuniões literárias.
Comedido. Ponderado. Observador. Perspicaz.
Um monge tibetano das geraes.

Abel fez um meticuloso controle financeiro
no XXIII Congresso Brasileiro da Sobrames
Logo, integrou a diretoria, como segundo tesoureiro.
Quando me impus peregrinação,
ele me substituiu por ano e meio.
E assim, nos deixa Primeiro...

Escrevia muito, mas mostrava pouco.
Não sei o que fez com o tudo que escreveu.
Penalizo-me com a dúvida da pergunta que não fiz
não por desinteresse, nem por timidez,
mas por respeito ao silêncio do outro...

Nas últimas reuniões que frequentou em 2017,
tocou por alto na saga da sua doença.
Os sobramistas se colocaram à sua disposição.
Como sempre faço, eu lhe disse:
Espero que não precises de mim... Você sabe, sou intensivista!

Num dia de outubro, acordei pensando nele
enviei-lhe uma mensagem
e seu sobrinho retornou o zap-zap,
dizendo que ele estava com pneumonia,
internado no CTI do Felício Rocho.

Para lá fui, mesmo sabendo que nada iria acrescentar...
Estava entubado e sedado, em Ventilação Mecânica.
No dia que iniciou o desmame do respirador,
pude estar com ele no que seria nosso último momento...

Acordado, lúcido, mas traqueotomizado não podia falar.
Logo que nos vimos nossos olhares brilharam
Não sei dizer quantas mensagens trocaram.
Ele apontou para a traqueostomia para me informar que não podia falar.
Macaco velho, providenciei prancheta, papel e lápis.
Lápis é melhor do que caneta!

Conversamos por escrito
Senti-o animado com sua recuperação
Fez-me perguntas difíceis...
Conversamos sobre futuro, sobre vida e morte.
Eu pretendia ficar com as folhas de papel
que registraram nosso “papo cabeça”
Ele, ladino, se antecipou...
escreveu na última rodada:
“Vou guardar de lembrança. Estou muito,
mas muito feliz com sua visita”
O tempo de desmame havia se prolongado
era para ser de quinze minutos e já passava de meia hora.
A saturação de O2 em 94% e os dados estáveis
davam segurança para o prosseguir.

Escrevi por baixo:
“Então, você fica com o papel e eu com a memória”
Fez-me um sinal com dois dedos.
Entendi que ele ficaria com ambos:
o papel e a memória.

Esse momento único, agora retumba
Verte uma saliva grossa que trava o engolir.
Nas chapas de vidro de meu ego
Abel sorri.
A Sobrames encolhe!


José Carlos Serufo

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Feliz Natal. Papai Noel!... Tenha dó.

Feliz Natal. Papai Noel!... Tenha dó.                                                                                     

   Josemar Alvarenga   BH 23/12/2017


O de mais saber, pouco ou nada sabe e muito tem pora aprender.                    
O tocaiado de mais ver, nada enxerga; taí o assombro.(Popular)

Hoje eu acordei com o natal atravessado, com o gosto de sangue na boca, de política em crime organizado... Mas, me acalmei.
São Nicolau, Século III,Bispo de Myra, Turquia/Ásia Menor. É o padroeiro da Grécia e Rússia.  Por seu desempenho social, inspirou a fantasia Papai Noel. Humano,solidário com os órfãos e desvalidos. No solstício do inverno/norte, das festividades pagãs do Sol Invictus, revisadas ao Natal da cristandade, ele provia aos necessitados do básico à subsistência, em doações, a lhes amenizar a fome e o sofrimento gélido e angustiante invernal. Sua fama correu toda à Europa como Santa Claus e na Rússia, como DedMoroz.
De mitos ao mito em lendas à lenda,seu renomerecriado, ora engrandecido oradesvirtuado. Do norte astral trouxerenas, trenó, estrela polar, sininho. A original cor azul ou verde, símbolo celestial ou da esperança, na América avermelhou emgargalhada grave, gutural norenovado papel no mundo. Repaginou ogarotopropaganda daCoca-Cola,na pós-Segunda Grande Guerra, de fixar a transparente garrafa bojuda, seuprático dosador em marca registrada e a cor vermelha, do xarope. Coca-Cola emociona com vendetas noélicas com sua fantasia.
Papai Noel virou sorrateira Fênix ao mundo dos negócios. Das cinzas, no Advento reaviva a vigoroso comércio. Insufla delicadezas. Vicia aos atoleimados Acicata e explora aos consumistas. Revogado, desambienta a função e o festim.A origem na solicitude é sua fiança e salvação à mercancia;um furor em agonia dos sugestionáveis e/ou incautos.
Cante suave! OMenino Jesus dorme nacoxia, estrebaria do mundo... (Arauto da Natal)
Papai Noel é doce e engano.Polêmico. Provocador. Com a nevasca em pleno verão tropical de sol a pino; incita sedentos dos semiáridos infernais.Espaçoso no trenó de burundangas; estilinga a inveja aos de nada ter.Atrelado por lépidas renas em céu boreal;boicota aos catingueiros e sua paras caboclos, cervídeos imprestáveis a puxar o cocão, transporte matuto, de seu eixo de pau cantarem homenagem ou pedinte ao divino, a clemência celeste. Barriga protusa de comilão/beberrão de enfastio contumaz;soleva aos famintos no país da fome zero.
Imagem desindicalistadestacado, indecente estrela de bordel;barba,bigodes,cabelosem desalinho, sem aparo. Risada pacóvia, assustadora, demeter medo. Engazopado no surrão vermelho, condenado em sentença obrigatória; esquipado no MKT de capitulá-lo. Bom velhinhoteatralizado emavô. Bonachão, pançudo, perdulário vermelhoestelar;eis o vitupério.
Alude à infância e a induz esmoler; ensina-lhe a dependência submissa, filosofia e revolta no“mais valia”. Prometedar e toma pertences alheios. Convoca, cobra, inconveniente chantagista, hábil político no cutelo emocionale compromete a quem se negar. Manipulador de cartinhas de pais imprevidentes, frutos da omissão oficial, e, por Noel, instigados ao delito. Assume e transfereresponsabilidades ao condoer humano em ostensivos coturnos e gargalha sem falar, na fuga diligente, secobradode suas intensões na penumbra.
De início, repulsivo aos infantes, e, os corrompe. Não há criancinha denão o rejeitar aoprimo encontro. Assustada, o rejeita. Tem medo. Chora. Quer colo. Foge e se escondedaquela figura herética, pantagruélica. Ele se vende com mimos e convence ao inocente amedrontado, com ordinários, a dar-se ao seu colo, ganhar falso beijo em igual abraço. Criança não suporta ameaça, tem medo da insegurança, foge do ignoscível, do feio, horroroso ameaçador, por instinto. É como ela vê o duende arengueiro, espoliador em semeador de ciúmes, encrenqueiro, embora ele lhe seja imposto cultural e ela o aceita, subornada por badulaques, à sua adesão ao costume.O homem é animal viciável; basta-lhe um prazer. A criança se compra com porcaria, bala qualquer;Papel do golpista subornador, professor, didático ensinando os primeiros passos da corrupção. No fundo deve proferir a famosa frase:
Filho, seja presidente do país ou do senado ougovernador de estado. (Oração de São PhudentiusEjacculathus com aprovação de São Vagabumdim)
Papai Noel evoca ilhéu barbudo,revolucionário extemporâneo,corrupto,oportunista em vãs promessas de liberdade, prosperidade, até quixotesca. Indutor sublinear do comportamento social de intolerância beligerante, opressor, assassino, apesar da aparente docilidade em paz e amor. Não há poder sem loucura nem caminho sem volta; finda a mágica, ele a si,some.
Papai Noel é vício. Arrasa a mente intoxicada do dependente. É necessário e desejado, insubstituível até seu ressurgir em nova dose ao próximo ciclo de alucinação. Nasuposta alegria, é a solução ao único dia.Papai Noel é candidato único no Natal, Remédio de Deus, O Salvador.Chamada ao inocente, a vítima do abuso:
Angu de um dia enche a barriga. Mas, não sustenta, não. Viu!... (Popular)
Natal é proposto renascer do Cristo, no dever de existir em quem de nele crer, na renovação individual ao animal homem revigorar-se no homem/humano. Natal não é para tudo. Apesar de ser o princípio de tudo e para todo homem/humano, no seu motivo individual ao equilíbrio, harmonia social à humanidade, cada vez mais necessário na nave Terra, singrando o universo. E, nós, migalhas, meros e pretensos significados seres, nesse infinito.
Desde longínquas infâncias em cantilenas:Noite Feliz.Por quê?Bate os sinos de Belém. Para quem?Natal, Natal das crianças. Quais? Se abandonadas, sem família, sem mãe.
Sociedade sem mãe. Todos sem mãe; Desacertação; arranjo sectário ao novo social. Mãe e criançapermutadas no jogo modernista, da moda creche desociabilizarinfantes.Atélactentes entregues pelas mães, como na antiga e guerreiraEsparta, ao Estado Espartano. Lá, educadas comoguerreiras, a morrerem adolescentes, em combate e glória do estado. Hoje, serão abatidas pelo narcotráfico, em glória societária do poder.
Filhos patrimônios do Estado; Para amãe biológica poder ajudar a prover a família, trabalhar -mote soberano.Mãe assistir ao filho,educá-lo como primeiro, insubstituível elo humano,não é trabalho? Por que substituir, não prover ao pai de reais condições de assistência à família? Qual o empecilho cultural de a mãe poder ser mãe, ser ético biológico? Obrigá-la,sobrecarrega-la, tolhe-la quando quer e precisa ser mãe. A profissão a engole e ao filho repassado ao estado. Ser mãe não é gerar ou tampouco, parir; isso tem outro nome. Mãe ébiopsiconeurofisiológicosócioeconômicocultural no tempo/espaço dinâmico, renovador vital.
Contudo, em merecido happy hour familiar, findo um dos três dias da árdua jornada em Brasília, governante em avião oficial vai jantando no mais chique restaurante em Paris, US$4.000 per capita – vide mídia. Ao povo, o troco de40% de imposto no quilo de arroz, feijão, lata de óleo no país da fome zero.Nas escolas, irrepreensível pedagogia de gênero entrefilosofias das genialidades didáticas e o analfabeto funcional. Trabalho de progressistas intelectuais capatazes dos ectarismo. A saúde em sucata agradece. A segurança pública tetra amputada, aplaude. Narcotráfico e crime organizado vicejam; financiam a farra dos aproveitadores da anomia. Sociedade doente, povo sofrendo, ninguém tem pena, por nada ver; insensibilidade.
No pronto socorro, o politrauma engana. Todo caso é um caso. Todo cuidado é pouco. Toda atenção é desdobrada. Toda surpresa é lógica. O que se vê não é visto até se ver o que não se vê e deve ser visto; o principal.Nada assusta nem pode assustar. Mesmo assim, há erros, pois, tudo é possível. Ausência de dor pode decorrer do trauma neurológico. Ou de lesão mais exuberada e de não ser a mais grave. O paciente não estabiliza ou passado o risco emergencial, aparece dor aqui e acolá, dor postergada. Decorre do silêncio obrigado pela maior queixa ou de achado casual. Pode não ser nada ou grave despercebido de levar ao óbito. (Princípios básicos ao politraumatizado)
Fecundação in vitro. Útero de aluguel. Mulher e marido? Mãe e pai? O que é isso? Caso. Mãe não existe. Creche. Mãe égenitora. Substituível. Mãe é aMatrizdoadora de óvulo ou de embrião;vaca de eliteao apuro da raça.
Para certos estudiosos, apologistas da evolução a qualquer custo, não importa o caos. Há que se passar por estágios, por sacrifícios necessários aos de uma geração, uma época, para haver evolução em benefícios humanitários. Veja as guerras.  A ciência, por ser ciência, atropela a natureza e ajuda no seu desenrolar, favorece aos novos conhecimentos.
A proposta da modernidade é louvor à saudável juventude sem família. Juventude livre. Independente.Sem o formatado medieval burguês. Sem respeito a qualquer hierarquia nem a ninguém. Nada ao referencial pré-estabelecido. Juventude de poder e dever construir seu próprio ideal, o que ela quiser da própria vida, sem objetivo preconcebido. Pode escolher; fazer, criar ou aderir a qualquer política ou moda, até acertar.Enfim, ser livre é isso; vida sem compromisso em tentativas com a própria vida.
Fórmula à juventude fulcro à anomia de legalizarqualquer estado sem referencial, manipulado por estroina. Por isso, atuais corruptocratas com curso de graduação, mestrado, doutorado, livre docência,pandemoniocracia,democratasdecantados e defensores inarredáveis de certasLiberdades e IguaisDireitos Humanos, criados nos bancos acadêmicos.Tudo farsa oficializada como ética e moral, até religiosa em pétreos princípios dos direitos (des) humanos.
Da banalização sistemática, filosófica, didática pedagógica e social, religiosa, cívica e moral do mito Papai Noel no Natal de Ano Novo; “Muito dinheiro no Bolso e Saúde prá dar e vender”. Daí nasce o abatesistemático, discriminado da juventude em sociedade de querer sua vida média de 120 anos, até meados deste século.
Papai Noel, um brinquedo, uma canção natalina, bastam parafazer uma criança feliz.(Popular)
Fora os abortos,jovens de 15 a 30 idades,setenta mil assassinatos/ano; contribuição social narcotráfica, Crime Organizado SA. Serviço implantado na democracia pós anos de chumbo. Guerra civil não declarada. Hiroshima, Nagasaki invejam a esta brutal arma da guerra surda. Mortes intrauterinas por balas perdidas. Mortes pelas indústrias do roubo, desde a merenda escolar aos pensos hospitalares em sustentação bolivariana ao “Foro de São Paulo” de apoio FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia;cocalera). Nababos recursos, ONGs às paradas apoteóticas mobilizam o estado, oprimem o cidadão, “defesa das minorias, direitos humanos”. Trabalhadores, cidadãos, espezinhados, assaltados, sequestrados, aleijados, mortos; famílias à sorte. Bandidos condenados, defendidos pelos direito humanos, cheios de direitos e regalias cospem na cidadania, em glórias. Saúde, Educação, Trabalho, Segurança Pública;Infância/adolescência, juventude/cidadania; Enfim,a Constituição não é prioridade.
Na Aldeia Global,dois terços padecem de fome; desperdiçam-se alimentos de prover a humanidade, jogados fora.De um lado, obesidade mórbida. Do outro, fome mortal. Desmatamento e agricultura irracional.Aquecimento global.Desertificação. A menina e o abutre preto africano em guarda, esperando ela morrer –NY Times, 1994. Foto no Sudão comoveu o mundo e levou seu fotógrafo ao suicídio e acabou.Fica a pergunta:
Quem está certo, o abutre ou nós?
Na Bacia Mediterrânea,oligofrênica guerralibertária, dos pacifistas, democratas, religiosos; todos ao poder.Fugitivos em precária embarcação; entre afogados, um infante dá à praia, aos abutres; repetição da foto citada, 23 anos depois; de fato, a vida é cíclica.Mas, até agora, ninguém suicidou.
Na Idade Média, mundo em polvorosa, nababas autoridades eclesiásticas, governo daquela era, discutiam a cor do manto sagrado do Cristo, a defender sua fé, em salvação.
Conceituada ONU discute o sexo de cada cor do arco íris, se a veste está a rigor; o tom da cor da túnica vermelha dos trombeteiros de Jericó; a autenticidadedoatestado de virgindade da avó de Messalina, emitido por eunuco,um ex-amante de quem ela tivera um filho.
Onde a racionalidade? O óbvio? A humanidade? Onde a defesa da espécie? Vale único grupo; a casta, como aquela, a celestial?
Menino Jesus é todo humano; renovável à luz da Luz.Nascer no tiroteio entrepanos da insensibilidade empalhas da mentira na estrebaria da falsidade? Respirar ignomínia, ser iluminado pelo descaminho, acalentado porsuposta mãe (corpo meu, dele faço meu uso; feto émeu corpo, posso abortá-lo), pai omisso paterno no estado em desgoverno?
Piores que Herodes movido pelo medo do possível novo rei a tomar-lhe seu suposto trono. Naquele infanticídio bíblico, infantes podiam espernear em choro e protesto, ao grito da morte. Foram ouvidos, nos relatos. Hoje, mudos embriões, fetosindefesos e mudos, arrancados aos pedaços por uma cureta autorizada por legisladores em apoio de uma geração sórdida, no silêncio sagrado do útero de possível mãe, igual a essa humanidade miserável. O objeto da curetagem é despedaçadosem qualquer manifesto nem solidariedade, dado ao lixo ou servido substrato a indústria de cosméticos sofisticados, caríssimos. Mero e experto aceiteao porvir de um mundo melhor. Cruel e técnico infanticídio, de lesa humanidade.
Reis Magos;os Três Poderes de presentearem com a desfaçatez, própria dos omissos e covardes,às infâncias.E, ao povo admirado, tangido ao curralda modernidade, novo cadafalso dos atuais senhores de escravos, de ganhos aposentados de marajás.
Sem Árvore de Natal, Presépio, Estrela Guia nem Papai Noel adesista promocional, supedâneos à corrupção. Hipocrisia? Jogar o país sob o tapete da desgraça? Cantar louvores de:Eu não sabia. Fui traído?E Dingo Bell!...Chega.
Há dois mil anos te mandei meu grito que, embalde, desde então, corre o infinito;              Onde está Senhor? Meu DEUS!...       (Castro Alves, in, O Navio Negreiro. 1869)
Dizem os de crê:“Jesus veio para salvar os homens”.                                                                                  - Quais homens?–o curioso Joãozinho, sem entender, perguntou ao seu pai.                                           - Atual democracia indica os novos sinhozinhos, meu filho. - Respondeu-lhe o “velho”.                           - Mas, Salvar de quê?    - reperguntou-lhe Joãozinho.                                                                                  - Do Tutu Marabá que vem pegar autoridade que não quer mamar. Acho que é isso!...
Durma com um barulho desses!...  Contudo;


       Feliz Natal!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

UMA ORAÇÃO ENTRE AMIGOS

UMA ORAÇÃO ENTRE    AMIGOS...                                                                                             

(Ao Abel Fagundes Fernandes – in memoriam - inspirado em Santo Agostinho)
                                                                                              
Josemar Alvarenga

Não, meu amigo!... Não chore por mim. Não!... Não chore. Somos tão amigos! Para que o choro entre nós, se não for por alegria? Não me permito causar-lhe dor nem aceito que sofra. Pior será se for por minha causa. Se for de alegria, por favor, chore. Do contrário, não. Pois, eu não fui embora...
Só mudei de lado. Eu estou bem situado no outro lado da mesma rua onde você, como eu, mora. Só isso! Então, sorria. Lembre-se e agradeça por nossa amizade.
Você se lembra das alegrias? Dos projetos? Das ilusões e frustrações? Dos amores? Das derrocadas e dos sucessos? Das conquistas?  De toda felicidade dos donos do mundo? Aquilo é vida e não acabou...
Tudo está em nós. Mesmo que eu tenha mudado e agora esteja do outro lado da mesma rua onde você mora, continuo em você e você em mim. Obrigado. Por isso e para isso viemos nessa oportunidade única.
 Então, não chore. Não lamente. Venceu o tempo. Só isso. Ninguém perdeu. Só ganhamos. Só há ganho na rua do sempre; rua de nunca acabar. Nela habitam os deste lado e do lado de lá...
Ganhamos pela vizinhança amiga... Compartilharmos desse divino mágico e único, na mesma rua de agora. No compartilhar dessa rua maravilhosa, está a nossa felicidade sem fim. Por isso, não chore. Exploda de agradecimentos e alegria. É só mais um instante que passa. Tudo se amolda e nos acostumamos com pequenas separações.
Eu agradeço os instantes ao seu lado. Agora, mudei para a vizinhança fronteiriça do outro lado. Só isso!... Não permito você chorar nem lamentar pelo simples fato de eu ter mudado e estar do outro lado da nossa mesma rua.
Nesta rua, tudo que acontece é bom. Só podemos agradecer a oportunidade, não o fato. Lembre-se dos que tentaram e nunca chegaram a partilhar esta rua. Dos que começaram a partilha, iniciando a caminhar se mudaram, passaram para o lado de lá.
Nós continuamos juntos e em aguardo daquele instante, quando outra vez nós estaremos de novo, do mesmo lado, e, partilhando daqui, a mesma alegria desta rua mágica chamada vida... Portanto, não chore. Não lamente. Agradeça. Só isso nos resta da vida; Agradecer.
Obrigado por ser meu amigo, e, lembre-se; eu jamais o esquecerei.
Quando sentir saudades de mim, faça-me uma visita com uma lembrança, um pensamento ou, se puder, uma oração – estaremos sempre perto...
Não deixe nada atormentar a paz da sua vida. Viva a paz e em paz. Viva feliz, tranquilo. Viva como eu estou agora; em paz.  Lembre-se: eu só mudei de lado.

Até o nosso novo encontro.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Quem sou?



Quem sou?



Quem sou?
O que sou...
Uma rosa sem espinhos?
Um andarilho perdido?
Ou um filhote sem um ninho?

O que sou...
Um reflexo no espelho?
A penumbra do eclipse?
Ou a sede no deserto?

Se sou...
Uma rosa, não tenho pétalas.
Um andarilho, não tenho pés.
Um filhote, não tenho vida.

Se sou ...
Um reflexo, sou distorcido.
Uma penumbra, desapareço.
A sede, estou no Oásis.

Quem sou?
Sou o que restou.


Hermes Marcondes Lourenço

Primavera / 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

II Colóquio das Academias de Medicina em BH, no Hospital Mater Dei em Novembro de 2017


II Colóquio das Academias de Medicina em BH, no Hospital Mater Dei em Novembro de 2017






Reunião na Coopmed

Dia 6 de novembro, houve o encontro de médicos e médicos escritores - sobramistas -, bem como apreciadores de livros.
Houve menção aos fundadores da Coopmed, entre eles o Dr. Baggio e Dr. Gilberto Madeira.